Capítulos

Lições que a pandemia pode(ria) nos deixar: devir humano, tecnologias digitais e construção do conhecimento
Victor Eiji Issa
ISSA, V. E.. Lições que a pandemia pode(ria) nos deixar: devir humano, tecnologias digitais e construção do conhecimento. In: Marilena Rosalen; Inês Pauli. (Org.). Movimentos Docentes: Desafios do retorno presencial e renovações no cotidiano escolar. 1ªed.Diadema: V&V Editora, 2022, v. , p. 33-49
Urban Experience, Youth, Gender and Sexuality in a LGBT Family on the Periphery of São Paulo
Vi Grunvald
O argumento central é que essas “famílias LGBT” não se baseiam na consanguinidade, mas em formas de relatedness, constituídas por solidariedade, afeto e compromisso, aproximando-se de noções como “famílias escolhidas”. Ao mesmo tempo, o texto mostra que essas formas de parentesco são inseparáveis da experiência urbana, especialmente da ocupação dissidente de espaços centrais da cidade, como a região do Arouche/Vieira, que funciona como território simbólico, político e afetivo. A cidade é concebida como um espaço de disputas, atravessado por marcadores de gênero, sexualidade, raça e classe, no qual a presença de corpos dissidentes produz tensões com o Estado, o mercado e projetos de gentrificação. Nesse contexto, a ocupação do espaço urbano não é apenas prática de sociabilidade (o fervo), mas também forma de ativismo e reivindicação do direito à cidade, ainda que marcada por diferenças internas entre coletivos e gerações. O texto também enfatiza a dimensão geracional, mostrando como diferentes usos da cidade (Vieira, Augusta, Ibirapuera etc.) estruturam distinções entre “antigos” e “novinhos”, articulando memória, pertencimento e formas de ação política. Por fim, argumenta que a experiência urbana desses jovens é atravessada por uma relação paradoxal com a violência: ao mesmo tempo em que a cidade oferece possibilidades de existência e associação, ela também expõe esses corpos a formas recorrentes de violência, inclusive estatal, que acabam impulsionando processos de politização e mobilização coletiva das famílias LGBT.
GRUNVALD, V. . Urban Experience, Youth, Gender and Sexuality in a LGBT Family on the Periphery of São Paulo. In: Ricardo Campos; Jordi Nofre. (Org.). Exploring Ibero-American Youth Cultures in the 21st Century. 1ed.Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2021, v. , p. 75-101.
Objetividade e intimidade familiar queer nos retratos de Catherine Opie
Vi Grunvald
O ensaio, comissionado pelo MASP por ocasião da exposição Catherine Opie: O gênero do retrato, analisa a obra da artista a partir de uma crítica à noção clássica de objetividade fotográfica, propondo sua reformulação como prática situada, corporificada e relacional. Partindo da crise contemporânea da confiança na imagem, o texto argumenta que a fotografia não apenas representa, mas produz subjetividades e regimes de verdade, articulando conhecimento, poder e corpo. Em contraste com a tradição documental — marcada pela distância entre quem fotografa e quem é fotografado —, Opie constrói uma objetividade fundada na intimidade ética com suas interlocutoras, centrando seus retratos em corpas sexo-gênero dissidentes, frequentemente isoladas de contextos sociológicos explícitos. Essa operação desloca o regime visual hegemônico ao conferir centralidade, legibilidade e legitimidade a sujeitos historicamente desautorizados, constituindo um regime imagético contra-hegemônico. O ensaio sustenta que essa objetividade parcial e situada não abandona a verdade, mas a reinscreve na singularidade dos corpos. Por fim, ao analisar séries como Portraits, Being and Having e Domestic, argumenta que Opie produz uma espécie de álbum de família queer, no qual intimidade e domesticidade são reconfiguradas como espaços legítimos de pertencimento, projetando, assim, não apenas imagens, mas modos possíveis de vida.
GRUNVALD, VI . Objetividade e intimidade familiar queer nos retratos de Catherine Opie. In: Adriano Pedrosa; Guilhere Giufrida. (Org.). Catálogo da exposição Catherine Opie (MASP 2024). 1ed.São Paulo: Editora do MASP, 2024, v. 1, p. 1-185.
Diálogos visuais com Claudia Andujar
Kelly Koide
KOIDE, Kelly. Diálogos visuais com Claudia Andujar. In: Fabiene Gama; Débora Wobeto; Luisa Godoy Pitanga. (Org.). Precursoras da Antopologia visual: mulheres em campo. 1ed.Santos: Editora Intermeios, 2025, v. , p. 249-266.
O Duplo
Isabel Wittmann
Por muito tempo se questionou se haveria um cinema fantástico no Brasil para além do mítico personagem Zé do Caixão, criação de José Mojica Marins. Um olhar atento, no entanto, revela uma filmografia extensa – e cada vez mais numerosa – e de qualidade que brinca com as possibilidades do estranho e do maravilhoso. Filmes de horror, fantasia ou ficção científica foram realizados na Vera Cruz, no Cinema Marginal, na Boca do Lixo e na Retomada; balizaram chanchadas, obras experimentais, infanto-juvenis e animações. Cinema fantástico brasileiro: 100 filmes essenciais nasce de um desejo de ampliarmos os estudos acerca desse gênero, com um recorte abrangente e introdutório, artigos de cunho histórico e abordagens críticas sobre esse universo. Capítulo sobre o curta O Duplo, de 2012, dirigido por Juliana Rojas.
WITTMANN, Isabel. O Duplo. Cinema fantástico brasileiro: 100 filmes essenciais. São Paulo, Letramento, p. 52-54, 2023.
Helena Ignez e a desestética do cinema de colagem
Isabel Wittmann
Editado em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), MULHERES ATRÁS DAS CÂMERAS: AS CINEASTAS BRASILEIRAS DE 1930 A 2018 é fruto de uma inquietação perante as poucas informações disponíveis sobre a história do cinema brasileiro feito por mulheres. Os 27 artigos estruturam esta produção por meio de ensaios com recortes temáticos ou focados em figuras de destaque. Vamos desde o pioneirismo de Cléo de Verberena (a primeira realizadora mulher), Carmen Santos (produtora, atriz, criadora de estúdios) e Gilda Abreu (roteirista e diretora do sucesso O ébrio [1946]), até diretoras em atividade como Anna Muylaert e Suzana Amaral. A edição também inclui filmografias das realizadoras perfiladas e o “Pequeno dicionário das cineastas brasileiras” com mais de 250 verbetes. O prefácio salienta as dificuldades impostas às mulheres (e, em particular, mulheres negras) para ascender à qualidade de diretoras na indústria cinematográfica. Nos artigos, acompanhamos a jornada dessas mulheres que diversificaram o cinema brasileiro e o histórico de suas contribuições. Escrevo sobre a obra provocativa da cineasta Helena Ignez. O livro foi finalista do Prêmio Jabuti 2020, promovido pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria Ensaios- Artes.
WITTMANN, Isabel. Helena Ignez e a desestética do cinema de colagem. Mulheres atrás das câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018. São Paulo, Estação Liberdade, p. 307-314, 2019.
Guida
Isabel Wittmann
Realização conjunta da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Canal Brasil e Grupo Editorial Letramento, "Curta Brasileiro - 100 Filmes Essenciais" apresenta ensaios sobre uma centena de produções feitas no país em várias épocas, escolhidas a partir de votação realizada no início de 2019 por associados da entidade e convidados. Cada texto é assinado por um autor diferente, com a publicação reunindo nomes importantes da crítica e do pensamento sobre cinema no Brasil e no exterior. Escrevo sobre o curta em animação Guida, dirigido por Rosana Urbes.
WITTMANN, Isabel. Guida. Curta brasileiro: 100 filmes essenciais. Belo Horizonte: Letramento, p. 240-241, 2019.
Espaços, política e musicar local
Kelwin Marques Garcia dos Santos
MOSQUERA, Christian Portuguez; SANTOS, Kelwin Marques Garcia dos; MUNIAGURRIA, Lorena Avellar de; REILY, Suzel Ana; CAMARGO, Tamiê Pages; GRUNVALD, Vi. Espaços, política e musicar local. Musicar local: trilhas para estudos musicais. Campinas, Editora da Unicamp, p. 333-364 e 2026.
Prácticas transnacionales y redes migratorias de los senegaleses en Argentina
Lina Fernanda Sánchez Alvarado
Este livro oferece uma perspectiva ampla sobre as comunidades afrodescendentes na Argentina, particularmente aquelas ligadas às migrações cabo-verdianas do início do século XX e às migrações atuais da África subsaariana. Os autores trazem à discussão uma série de questões, como a migração contemporânea da África subsaariana, especialmente do Senegal, e sua relação com os processos de visibilidade da população afrodescendente na Argentina; a formação de organizações e outras formas de participação coletiva como espaços para a reivindicação de direitos civis; as representações de afrodescendentes e migrantes africanos na mídia pela sociedade local; e outros tópicos relacionados à situação laboral dos migrantes, seu status de estrangeiros, liderança comunitária, implementação de políticas públicas e a (re)produção de memórias subalternas nos processos de formação da identidade.
B, ZUBRZYCKI ; ALVARADO, L. F. S. . Prácticas transnacionales y redes migratorias de los senegaleses en Argentina, en Maffia, Marta e Zubrzycki, Bernarda. Africanos y afrodescendientes en la Argentina. 1. ed. Buenos Aires: Biblos, 2017.
Cruzada sexogenérica e a arte como regime de moralidade: reflexões a partir do Queermuseu
Vi Grunvald
O capítulo analisa as controvérsias em torno da exposição Queermuseu como um caso exemplar para compreender a centralidade de gênero e sexualidade nas disputas políticas contemporâneas no Brasil. Partindo de uma leitura do capitalismo neoliberal e das dinâmicas midiáticas, os autores mostram como discursos sobre “família”, “infância”, “pornografia” e “blasfêmia” funcionam como dispositivos morais que organizam pânicos sociais e regulam a circulação de saberes e imagens. A noção de “cruzada sexogenérica” é proposta para descrever esse processo, no qual tais pânicos são instrumentalizados politicamente e articulados a estratégias mais amplas de poder. Ao mesmo tempo, o texto desenvolve uma crítica à institucionalização da arte queer, argumentando que museus e mercados tendem a domesticar e neutralizar seu potencial dissidente, ao mesmo tempo em que tornam a arte um campo privilegiado de disputa entre censura, moralidade e liberdade de expressão.
Leite Junior, Jorge ; GRUNVALD, VI . Cruzada sexogenérica e a arte como regime de moralidade: reflexões a partir do Queermuseu. Desafios e resistências em gênero e sexualidade no Brasil contemporâneo. 1ed.: ABA Publicações, 2024, v. , p. 197-233.
Drawing Futures for a Drawing Education in Anthropology: The Experiences of the LABareDA (Drawing and Anthropology Lab)
Tatiana Lotierzo
In this chapter, we are interested in incorporating drawing into anthropological education, which we refer to as drawing education. By drawing education, we mean the incorporation of drawing practices into anthropological teaching, learning and research. What kind of per-
ception comes to the body and mind when we respond to a reading with an act of drawing? What happens when we draw in the classroom
during an anthropology course? What possibilities arise from using drawing as a research tool? This chapter is divided into three sections that address these questions. In any case, it is not our intention to give objective answers, which means that we will not provide magic formu-las on the benefits of drawing in anthropology. Our purpose is more open and processual.
AZEVEDO, Ana; LOTIERZO, Tatiana et al. Drawing Futures for a Drawing Education in Anthropology: The Experiences of the LABareDA (Drawing and Anthropology Lab). In: Lorenzo Cañás Bottos; Jakob Krause-Jensen; Ioannis Manos (ed.) Educating Anthropologists in the Contemporary World: Rethinking Teaching, Learning and Disciplinary Boundaries. Berghahn Books, 2026.
Filmes indígenas no Brasil: trajetória, narrativas e vicissitudes
Nadja Marin
O artigo discute as produções audiovisuais indígenas desde a década de 70, e como nessas produções o realizador indígena atua mais como mediador do que como como criador individual. O artigo também discute a apropiação antropofágica da tecnologia, na qual o cinema é reelaborado a partir das próprias cosmologias e a estética dos filmes.
MORGADO, P. ; MARIN, N. W. . Filmes indígenas no Brasil: trajetória, narrativas e vicissitudes. In: Andrea Barbosa, Andrea Barbosa, Edgar Teodoro da Cunha, Rose Satiko Gitirana Hikiji, Sylvia Caiuby Novaes. (Org.). A experiência da imagem na Antropologia. 1ed.São Paulo: Terceiro Nome, 2016, v. 1, p. 87-108.
Images of Pandemic Inequality in Brazil
Marianna Sanfelicio
This research works from the intersection between visual anthropology and urban anthropology. Starting from photographs produced and published in Brazilian newspapers during the COVID-19 pandemic, we will discuss the visibilities and invisibilities of the bodies of the dead in the territory of the city of São Paulo, Brazil. The photographs show that these bodies are in a paradoxical and problematic game in which not only the objective and financial inequalities found in the city are at stake, but also subjective inequalities about which bodies can be shown publicly, and in which contexts this can be done. The way the rites of the pandemic were publicized shows that there are differences in how the bodies of people living in the central regions of the city and people living in the peripheries are seen. In this way, the publicization of the bodies during the pandemic gave these bodies a marginal character.
Sanfelicio, Marianna Knothe. Images of Pandemic Inequality in Brazil. In: Simone Maddanu, Emanuele Toscano. (Org.). Inequalities, Youth, Democracy and the Pandemic. 1ed.: Routledge, 2024, v. , p. 116-133. (Livro físico)
Ywy Jara/Los duenos de la tierra: Cosmopolíticas del Cine Etnográfico
Ana Lúcia Ferraz
Desde la investigación etnográfica mediada por procesos de realización de video, encuentro una noción específica de imagen guaraní que configura una sensibilidad propia. A partir de esta comprensión, desarrollo un trabajo que se inició con la práctica de talleres de video en las comunidades guaraníes, actividad que con el tiempo deviene en una serie de películas etnográficas. Interrogar qué pudimos hacer con el video en esta etnografía nos hace pensar en compartir experiencias productoras de aprendizaje. El diálogo con una comunidad guaraní en la frontera Brasil/Paraguay lleva a comprender una noción de territorialidad propia, transnacional y marcada por un tiempo singular que se divide en dos, simultáneos: el tiempo de los primeros, los creadores o los dueños, y la vida en ywy maraey, esta tierra imperfecta. Buscando diálogos teóricos en la etnología tupi-guaraní, encuentro líneas que apoyan el desarrollo de una metodología de investigación desde la antropología visual.
FERRAZ, A. Ywy Jara/Los duenos de la tierra: Cosmopolíticas del Cine Etnográfico. Utopías emergentes: Diálogos entre el arte, la antropología y la curaduría. Quito, Editorial PUCE, p. 154-171, 2023. https://repositorio.puce.edu.ec/items/af7db079-9946-43e4-8b18-47d752656239
A análise fílmica na antropologia: tópicos para uma proposta teórico-metodologica
Bruna Triana
TRIANA, B. N. C.; GOMEZ, D. . A análise fílmica na antropologia: tópicos para uma proposta teórico-metodologica. In: Andrea Barbosa; Edgar Teodoro da Cunha; Rose Satiko Gitirana Hikiji; Sylvia Caiuby Novaes. (Org.). A experiência da imagem na etnografia. 1ed.São Paulo: Terceiro Nome, 2016, v. 1, p. 109-126.
Blade Runner 2049: sobre corpos e gênero na distopia revisitada
Isabel Wittmann
Mulheres nas telas e atrás das câmeras é a materialização de um esforço coletivo de várias mulheres que, ao longo de três anos, foram deixando suas contribuições para que chegássemos a esse resultado final. Com 14 textos, entre artigos científicos e críticas de filmes, todos assinados por mulheres, trata-se também de um rico exemplar da safra atual de brasileiras pensadoras, pesquisadoras, fazedoras e críticas de cinema. Quem assina o prefácio é a cineasta, fotógrafa e professora do curso de cinema da UFF, Marina Cavalcanti Tedesco, que teve seu filme, À luz delas, lançado durante o 1º Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual, que aconteceu em 2019. Disponível em: https://latamtrainingcenter.com/mulheres-nas-telas-e-atras-das-cameras/?lang=pt-br
WITTMANN, Isabel. Blade Runner 2049: sobre corpos e gênero na distopia revisitada. Mulheres nas telas e atrás das câmeras. Rio de Janeiro: Festival Cabíria (e-book), p. 96-100, 2020.
Gênero e Cinema na Rede: O Feito por Elas como ferramenta de reflexão
Isabel Wittmann
Essa obra nasceu de um incômodo coletivo de pessoas que produzem podcasts e buscam saber mais sobre como utilizar esse recurso dentro dos ambientes acadêmicos. Afinal, muito se encontra sobre a produção dessa mídia na perspectiva da comunicação e do mercado, mas pouco se fala sobre o podcast como militância feminista, fonte de pesquisa e ferramenta pedagógica. Em Feminismos e Podcasts você encontrará estratégias feministas, acadêmicas e interseccionais capazes de auxiliar quem deseja pesquisar sobre podcast de forma interdisciplinar, ou busca ferramentas para tirar o seu podcast da gaveta, para ser mais uma voz na luta contra o machismo, racismo, classismo e a LGBTfobia. Nesse capítulo exploro um pouco sobre minha trajetória com o podcast que produzi dentro do Feito por Elas, trazendo dados e análises a respeito do projeto. (Disponível em cópias físicas e e-book)
WITTMANN, Isabel. Gênero e Cinema na Rede: O Feito por Elas como ferramenta de reflexão. Feminismos e Podcasts. São Paulo, Blimunda, p. 91-116, 2022.
Filme, Música e etnografia
Alice Villela
Villela, A., et al. "Filme, Música e etnografia". In: Musicar local : trilhas para estudos musicais / Organizadores: Suzel Ana Reily, Flávia Camargo Toni e Rose Satiko Gitirana Hikiji – Campinas, SP : Editora da Unicamp, 2026.
Crítica de cinema e podcast: diálogo em construção
Isabel Wittmann
O livro busca contribuir, de forma contundente e inédita, para o debate em torno de dois ofícios no âmbito cinematográfico e alguns dos seus dilemas contemporâneos: a crítica e a curadoria. A escassez de textos recentes em língua portuguesa foi a principal motivação para a organização do volume, que desponta com a proposta de concentrar reflexões em torno dos dois temas, possibilitando certo aprofundamento, mas sem perder de vista o viés didático. Assim, a proposta tem como objetivo congregar uma diversidade e heterogeneidade de vozes em torno das atividades investigadas, sem visar esgotamentos. Artigo sobre o uso de mídia podcast para produção e articulação de crítica.
WITTMANN, Isabel; GOMES, Raquel. Crítica de cinema e podcast: diálogo em construção. Crítica e curadoria no cinema: múltiplas abordagens. Belo Horizonte, PPGCOM/UFMG (e-book), p. 155-168, 2023.
African soundtracks in Brazil: race, music and migration
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
No Capítulo 4, Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft realizam uma análise etnográfica das complexas formas de violência racial, cultural e política enfrentadas por artistas africanos e da diáspora africana em São Paulo, que adotaram a música como meio de expressão de resistência para promover um espaço de solidariedade. Em sintonia com o foco da coletânea na mediação de múltiplas formas de violência por comunidades marginalizadas, este capítulo utiliza seu estudo de caso para revelar histórias passadas e presentes, ocultas e manifestas, das lutas anticoloniais, antiescravagistas e afropolitanas, explorando a contra-narrativa de resistência da comunidade de músicos africanos à violência institucional e sistêmica racializada em sua articulação da identidade africana no Brasil contemporâneo.
The Routledge International Handbook of Ethnographic Film and Video
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este capítulo examina a ética, a estética e as técnicas da pós-produção colaborativa nesta nova edição do livro. Na produção de filmes etnográficos, a pós-produção colaborativa é um processo multifacetado, e aqui nos concentramos em apenas um aspecto, geralmente associado às fases finais da edição: a trilha sonora, seja ela composta por música, gravações sonoras ou pela voz humana. Discutimos o papel central que a colaboração desempenha em algumas produções cinematográficas etnográficas, chamando a atenção para o seu lugar não apenas no processo de produção, mas também no período de “pós”-produção, quando o filme já está parcial ou totalmente editado e as trilhas sonoras são finalmente introduzidas.
Possibilidades de uma audição da vida social.
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Capítulo discute as possibilidades de uma antropologia musical.
HIKIJI, Rose Satiko Gitirana. Possibilidades de uma audição da vida social. O imaginário e o poético nas ciências sociais. Tradução . Bauru: EDUSC, 2005. Não está disponível online.
Caminhos, conversas, engenhos e amores: experimentos em um laboratório de imagens, sons e antropologia.
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Capítulo discute a produção audiovisual do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP, a partir da análise de algumas obras realizadas junto ao LISA.
HIKIJI, Rose Satiko Gitirana. Caminhos, conversas, engenhos e amores: experimentos em um laboratório de imagens, sons e antropologia. Contro-sguardi: diálogos de antropologia visual entre Brasil e Itália. Tradução . São Paulo: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária - USP, 2014. Não está disponível online
Da arte de rua a fábrica de funk: jovens artistas periféricos em movimento.
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Capítulo apresenta a produção do funk e do rap em Cidade Tiradentes, periferia de São Paulo, a partir da experiência da produção de filmes etnográficos na localidade.
HIKIJI, Rose Satiko Gitirana. Da arte de rua a fábrica de funk: jovens artistas periféricos em movimento. História oral e comunidade: reparações e culturas negras. Tradução . São Paulo: Letra e Voz, 2018. . Disponível em: https://biblio.fflch.usp.br/Hikiji_RSG_3146781_DaArteDeRua.pdf.
"’... It gets better when the people come to dance!’": The role of participatory music in the black community of Campinas"
Érica Giesbrecht
Este artigo aborda as formas como o movimento social negro evoluiu de uma autoapresentação discursiva e ideológica para a adoção de formas expressivas relacionadas a um passado ancestral na cidade de Campinas, uma cidade de médio porte do estado de São Paulo, Brasil. A música teve papel essencial nessa transição, pois teve uma longa inscrição na história dos africanos escravizados trazidos para o Brasil e empregou uma forma participativa de produção. Meu objetivo neste capítulo é analisar como essas estruturas musicais participativas não apenas criam um sentimento de compromisso com a comunidade negra, mas também promovem uma ressignificação de sentimentos de pertencimento, redefinindo o próprio conceito de “comunidade negra”.
GIESBRECHT, Érica. "’... It gets better when the people come to dance!’": The role of participatory music in the black community of Campinas". In BRUCHER, Katherine; REILY, Suzel. The Routledge Companion to the Study of Local Musicking. 2018
Objeto, imagem e percepção: forma e contemplação dos altares do Horto
Ewelter Rocha
O Capítulo aborda os regimes de sacralidade envolvidos no ato de contemplação dos altares domésticos da Ladeira do Horto, em Juazeiro do norte. Os objetos sagrados, a produção mimética de fisionomias e os rigores devocionais na sala de santo constituem os objetos centrais desse estudo.
Objeto, imagem e percepção: forma e contemplação dos altares do Horto. In: Andrea Barbosa, Edgar Teodoro da Cunha, Rose Satiko Gitirana Hikiji, Sylvia Caiuby Novaes. (Org.). A Experiência da Imagem na Etnografia. 1ed.São Paulo: Terceiro Nome, 2016, v. , p. 229-244.
Memória e verossimilhança nos retratos pintados da ladeira do Horto.
Ewelter Rocha
A contarmos da primeira metade do século XIX, as histórias da antropologia e da fotografia mereceram capítulos vinculados, que atestam uma relação de proximidade ao longo de suas trajetórias. Nos dias atuais, considerando-se o universo de saturação do mundo das imagens, referenciado por muitos autores como “pós-fotográfico”, à guisa das confidências entre fotografia e antropologia, o que se subscreve é um cenário de reflexões críticas sobre “os usos” e “o pensamento” das imagens fotográficas em suas perspectivas antropológicas. Nesse cenário, emerge também um arco de problematizações acerca de um conhecimento próprio das imagens e indaga-se sobre qual é o lugar das imagens e o que queremos delas. O capítulo discute o poder de agência, o estado sagrado e de culto atribuído aos
retratos pintados da Ladeira do Horto em Juazeiro do Norte – CE.
Memória e verossimilhança nos retratos pintados da ladeira do Horto. In: Sylvia Caiuby Novaes. (Org.). Entre Arte e Ciência: A Fotografia na Antropologia. 1aed.São Paulo: EDUSP, 2015, v. 1, p. 123-141.
Música e arte como conhecimento.
Jorge Luiz Ribeiro de Vasconcelos
Trata-se de um capítulo de livro que relata experiências e reflexões inspiradas na prática de um componente curricular do curso BICULT (Bacharelado Interdisciplinar em Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas) do centro CECULT da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O componente tem o nome de “Conhecimento, Ciência e Realidade” e refletir sobre ele possibilitou ponderações bastantes amplas e oportunas sobre a prática docente num contexto interdisciplinar. A tríplice articulação que seu nome carrega, sugere pensarmos e, consequentemente, propormos uma interdisciplinaridade que se esteie num princípio de equidade de saberes. Partindo disso, o foco central do texto é a condição das linguagens artísticas (com ênfase na música) como modos específicos de produção de conhecimento. Conhecimento que extrapola as fronteiras de pensar e fazer com sons e buscar suas relações com outras formas de estar no mundo e investigá-lo. E o faz a partir de um modo de operar e de uma construção de si baseados na escuta. No sentido da audição modulado e amplificado pela possibilidade de intercambiar sentidos (significados) que seres humanos atribuem aos sons, que se produzem e que se ouvem.
VASCONCELOS, Jorge Luiz Ribeiro de. Música e arte como conhecimento. In: Sérgio Ricardo Oliveira Martins; Sarah Oliveira Carneiro. (Org.). Conhecimento, Ciência e Realidade. 01ed.Cruz das Almas BA: Editora UFRB, 2022, v. 9, p. 77-102.
Perigosos festeiros – as máscaras Ticuna 60 anos após Harald Schultz
Edson Matarezio
Como bem notou Harald Schultz, a iniciação à vida adulta é a “ festa mais im po rta nte na vida de uma mulher [T icu na]” 150. Nas comunidades em que se faz a Festa da Moça Nova - em geral, as aldeias T icu n a 151 sem grande influência de missões evangélicas - , esse contin u a a ser o p rin c ip a l ritu a l. Após menstruar pela prim eira vez, a moça deve permanecer reclusa. A festa marca, portanto, a saída da moça da reclusão (aure). A celebração dura cerca de três dias, começando na sexta-feira e terminando no domingo. Ao longo da festa, são encadeados diversos pequenos rituais, formando uma seqüência complexa
MATAREZIO FILHO, E. T. Perigosos festeiros – as máscaras Ticuna 60 anos após Harald Schultz In: CULTURAS INDÍGENAS NO BRASIL E A COLEÇÃOHARALD
Taquaras, tambores e violas: fazeres musicais em narrativas audiovisuais.
Alice Villela
Este trabalho analisa alguns elementos presentes no processo da construção da série documental Taquaras, Tambores e Violas que aborda a construção de instrumentos musicais e performances musicais brasileiros. A análise de elementos ou forma estética é realizada em diálogo com o uso do filme na etnomusicologia, trazendo questões e reflexões sobre a importância de se pensar na forma de construir narrativas por meio do audiovisual em diálogo com os contextos etnográficos pesquisados. O fazer audiovisual é pensado aqui como uma “tecnologia da interatividade” (APPADURAI, 1996) e uma forma de musicar (SMALL, 1998) que captura, por sua vez, outras formas de engajamento com a música ou musicares.
VILLELA, ALICE. Taquaras, tambores e violas: fazeres musicais em narrativas audiovisuais. In: Ezequiel Martins Ferreira. (Org.). Arte e cultura: produção, difusão e reapropriação. 1ed.Ponta Grossa: Atena, 2021, v. 1, p. 190-196.
Rooms for Resistance: migration and social markers of difference in Berlin queer electronic underground music scene.
Gibran Teixeira Braga
In this chapter I present an ethnography on queer electronic music parties in Berlin. Starting with an account of my own experience of the scene as a foreign DJ, partygoer and researcher, I discuss the relevant role of migrants and people from different nationalities in its formation. These parties provide spaces for experimentation of new arrangements of social markers of difference, especially gender and sexuality. Despite this, there are still some conflicts regarding these social markers, including race and nationality. They raise new issues about integration and inequality in this vibrant scene.
BRAGA, Gibran Teixeira. Rooms for Resistance: migration and social markers of difference in Berlin queer electronic underground music scene. In KENNY, Ailbhe; YOUNG, Katie; PARDUE, Derek. Sonic Signatures: How Migrant Music Constitutes the City at Night. Bristol, Intellect, pp. 227-222