Urban Experience, Youth, Gender and Sexuality in a LGBT Family on the Periphery of São Paulo
Vi Grunvald
O argumento central é que essas “famílias LGBT” não se baseiam na consanguinidade, mas em formas de relatedness, constituídas por solidariedade, afeto e compromisso, aproximando-se de noções como “famílias escolhidas”. Ao mesmo tempo, o texto mostra que essas formas de parentesco são inseparáveis da experiência urbana, especialmente da ocupação dissidente de espaços centrais da cidade, como a região do Arouche/Vieira, que funciona como território simbólico, político e afetivo. A cidade é concebida como um espaço de disputas, atravessado por marcadores de gênero, sexualidade, raça e classe, no qual a presença de corpos dissidentes produz tensões com o Estado, o mercado e projetos de gentrificação. Nesse contexto, a ocupação do espaço urbano não é apenas prática de sociabilidade (o fervo), mas também forma de ativismo e reivindicação do direito à cidade, ainda que marcada por diferenças internas entre coletivos e gerações. O texto também enfatiza a dimensão geracional, mostrando como diferentes usos da cidade (Vieira, Augusta, Ibirapuera etc.) estruturam distinções entre “antigos” e “novinhos”, articulando memória, pertencimento e formas de ação política. Por fim, argumenta que a experiência urbana desses jovens é atravessada por uma relação paradoxal com a violência: ao mesmo tempo em que a cidade oferece possibilidades de existência e associação, ela também expõe esses corpos a formas recorrentes de violência, inclusive estatal, que acabam impulsionando processos de politização e mobilização coletiva das famílias LGBT.
GRUNVALD, V. . Urban Experience, Youth, Gender and Sexuality in a LGBT Family on the Periphery of São Paulo. In: Ricardo Campos; Jordi Nofre. (Org.). Exploring Ibero-American Youth Cultures in the 21st Century. 1ed.Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2021, v. , p. 75-101.