Objetividade e intimidade familiar queer nos retratos de Catherine Opie
Vi Grunvald
O ensaio, comissionado pelo MASP por ocasião da exposição Catherine Opie: O gênero do retrato, analisa a obra da artista a partir de uma crítica à noção clássica de objetividade fotográfica, propondo sua reformulação como prática situada, corporificada e relacional. Partindo da crise contemporânea da confiança na imagem, o texto argumenta que a fotografia não apenas representa, mas produz subjetividades e regimes de verdade, articulando conhecimento, poder e corpo. Em contraste com a tradição documental — marcada pela distância entre quem fotografa e quem é fotografado —, Opie constrói uma objetividade fundada na intimidade ética com suas interlocutoras, centrando seus retratos em corpas sexo-gênero dissidentes, frequentemente isoladas de contextos sociológicos explícitos. Essa operação desloca o regime visual hegemônico ao conferir centralidade, legibilidade e legitimidade a sujeitos historicamente desautorizados, constituindo um regime imagético contra-hegemônico. O ensaio sustenta que essa objetividade parcial e situada não abandona a verdade, mas a reinscreve na singularidade dos corpos. Por fim, ao analisar séries como Portraits, Being and Having e Domestic, argumenta que Opie produz uma espécie de álbum de família queer, no qual intimidade e domesticidade são reconfiguradas como espaços legítimos de pertencimento, projetando, assim, não apenas imagens, mas modos possíveis de vida.
GRUNVALD, VI . Objetividade e intimidade familiar queer nos retratos de Catherine Opie. In: Adriano Pedrosa; Guilhere Giufrida. (Org.). Catálogo da exposição Catherine Opie (MASP 2024). 1ed.São Paulo: Editora do MASP, 2024, v. 1, p. 1-185.
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