Entre cidades: filmes etnográficos em diálogo - Brasil e Colômbia - Programa 2

11/08, 15h00

Programa 2 - O espaço e suas artes 

Coordenação: Isabel Wittmann

O Espaço e suas Artes abarca retratos de diversas expressões artísticas e culturais em contextos urbanos. 

Convidados:

Rose Satiko Hikiji (USP)

Ana María Muñoz (Universidad de Antioquia)

Debatedor: Vitor Grunvald (UFRGS)

Programa 2 - Os espaços e suas artes

Clique nas imagens para abrir os filmes.

Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji

Cidade Tiradentes, distrito no extremo Leste de São Paulo, lugar onde a cidade termina, ou começa. De lá, chegam rimas, gestos e cores que marcam  o espaço, como o street dance, grafite e rap. A experiência periférica urbana é a base e o motivo da produção dos artistas de Cidade Tiradentes, que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. O filme segue a vida e as transformações da arte de rua com a urbanização em Cidade Tiradentes, lugar considerado o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, marcado pela exclusão, no qual a população orquestra suas dificuldades com dinâmicas próprias de sociabilidade, moradia, e apropriação do território.

English subtitles

Lucas Fretin

Este documentário sobre as pichações em São Paulo procura desvendar o que normalmente é tido como mera sujeira e vandalismo. Por trás dos rabiscos espalhados por toda a cidade existe uma imensa rede de sociabilidade envolvendo jovens das diferentes periferias. A pichação, além de um complexo mecanismo de comunicação, é também uma forma de expressar a revolta e a indignação com a falta de pespectiva do jovem pobre.

Sous-titre en français

Luckas Perro e Paula Medina

No ano 2002 um grupo de militares e milicianos entraram violentamente à Comuna 13 da Cidade de Medellín para “retomar” o controle do território. Resultado:  múltiplas violações dos direitos humanos e uma constante persecução aos jovens do bairro. A mitad del camino é um exercício de memória desse evento através da criação audiovisual e o rap.

 

 

Carolina Abreu e Marianna Monteiro

A Pedra Balanceou explora as trocas entre a brincadeira de rua do Nego Fugido e as provocações de agitprop - agitação e propaganda - do teatro de grupo paulistano. Deslocado de seu tradicional percurso em Acupe, no recôncavo baiano, o Nego Fugido que acontece pelas ruas de São Paulo revela uma violenta força estética que vai ao encontro da militância dos grupos teatrais nos movimentos sociais da atualidade. Pelos rastros das saias de folhas de bananeiras trazidas à metrópole irrompem utopias, lutas e tensões.

Rose Satiko G. Hikiji e Jasper Chalcraft

A presença africana na música brasileira se manifesta de formas diversas. Se em 1966, Baden Powell “carioquizava” o candomblé com os Afro-sambas que compôs com Vinícius de Moraes, meio século depois vivemos um momento inédito com a chegada de músicos de diferentes países africanos à metrópole paulistana. No filme AFRO-SAMPAS observamos o que pode acontecer quando músicos dos dois lados do Atlântico são colocados em contato na cidade onde vivem. Yannick Delass (República Democrática do Congo), Edoh Fiho (Togo), Lenna Bahule (Moçambique) e os brasileiros Ari Colares, Chico Saraiva e Meno del Picchia aceitam nosso convite para um primeiro encontro no qual experimentam sonoridades, memórias e criatividades.
O filme pode ser acessado na plataforma do festival In-edit Brasil: https://br.in-edit.tv/film/45.

Érica Giesbrecht

Em Campinas, interior de São Paulo, mulheres e homens negros, com idades entre 70 e 90 anos, são ativos no movimento cultural negro da cidade, essencialmente dedicado à recriação de repertórios musicais afro-brasileiros considerados tradicionais. Embora sejam considerados mestres nas comunidades musicais atuais, suas memórias de mocidade não remetem diretamente a jongos, sambas de bumbo ou maracatus, mas a bailes de gala. Na conjuntura marcada pela segregação, dos anos 40 a 60, no interior de São Paulo, esses bailes, frequentados majoritariamente por negros, são revisitados, evidenciando-se sua importância para a formação de uma comunidade negra iniciada no passado e continuada no presente.

 

Priscilla Ermel

Brilho da Noite é o retrato sonoro da festa-ritual do Bumba-Boi maranhense realizada anualmente na cidade de São Paulo. A partir de histórias e toadas alinhavadas por Ana Maria Carvalho, acompanhamos a iniciação do menino Ariel na arte de tocar a vida... Aquecida pelas batidas do pandeirão!

Sous-titre en français

Alexandrine Boudreault-Fournier, Rose Satiko Gitirana Hikiji e Sylvia Caiuby Novaes

Karoline é uma jovem que deseja uma vida mais excitante que seu cotidiano em uma central de telemarketing. Nas ruas de Cidade Tiradentes, o maior conjunto habitacional popular da América Latina, Karoline corre atrás do sonho de ser uma MC, neste lugar que é conhecido como uma Fábrica de Funk. O filme é uma etnoficção que aborda o universo do Funk, prática que envolve música, dança, tecnologia, moda, mercado, e que tem se tornado um dos principais fenômenos culturais da juventude no Brasil. 
Fabrik Funk é resultado de uma colaboração entre antropólogas da Universidade de São Paulo e da University of Victoria com moradores de Cidade Tiradentes, que atuam de diferentes maneiras na cena artística deste distrito. 
Gravado em junho e julho de 2014, em Cidade Tiradentes/SP, e editado entre São Paulo/Brasil e Victoria/Canadá, em 2014 e 2015, o filme contou com apoio da FAPESP e da UVIC.

English subtitles
Sous-titre en français

Marília Garcia Senlle, Raoni dos Santos Costa e Theodoro Condeixa Simonetti

Paisagem Musical nas ruas do centro de São Paulo é um documentário que aborda a experiência sonora da cidade trafegando por seus ruídos e pela música apresentada por artistas de rua.

Marina Chen

Documentário sobre a movimentação artística, política e cultural de grupos de jovens moradores em periferias de São Paulo, na zona oeste (Favela do Sapé), zona norte (Brasilândia) e na zona sul. Por meio da música, da produção audiovisual e outras formas de expressão, os jovens anseiam por mudanças nas comunidades em que vivem ou na sociedade como um todo.

Grupo Cultura, Violencia Y territorio/INER,/Universidad de Antioquia/Pasolini en Medellín/Consejo Comunitario comunidad de Pogue/Grupo de Alabadoras Las Musas de Pogue

​​​​​​​ Este filme faz parte do seriado documental Las musas de Pogue cocinan sus cantos: arte, política y resistência. Este trabalho mostra as práticas criativas e políticas às que recorrem as cantoras de Alabao de Pogue, setor do município de Bojayá, Colômbia, para denunciar os danos causados no meio da guerra, para curar as feridas e processar as perdas de acordo com os repertórios espirituais afro-chocoanos.

Francisco Simões Paes e Camilo Vannuchi

Quem não sabe a diferença entre viola e violão vai se surpreender com Ponteio: jogaram a viola no mundo, mas fui lá no fundo buscar. De forma bem humorada e dinâmica, o documentário traça um panorama do mais representativo instrumento do Brasil, trazido de Portugal em meados do século XVI e rapidamente assimilado pelo homem do campo desse país. 500 anos depois, o som da viola de dez cordas continua brotando dos dedos calejados dos sertanejos ao mesmo tempo em que se espalha pelos grandes centros urbanos, reinventado por músicos modernos e eruditos. Uma viagem pelo interior de São Paulo e Minas Gerais, os diferentes modelos de viola, sua importância para o resgate da cultura popular brasileira, suas afinações, a religiosidade, as receitas de pacto com o Diabo, os mitos que circulam o violeiro e uma amostra das novas possibilidades musicais do instrumento estão presentes nesse vídeo. Para ver e ouvir.