TENOCHTITLAN-CHILANGO
Um passeio pelo centro da Cidade do México enfocando suas personalidades e figuras excêntricas que dividem o espaço.
Um passeio pelo centro da Cidade do México enfocando suas personalidades e figuras excêntricas que dividem o espaço.
Sem pesquisa prévia, sem personagens, locações nem temas definidos, uma equipe de cinema chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias para contar. No município de São João do Rio do Peixe a equipe descobre o Sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradores - na maioria idosos - contam sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo senso de família e de honra.
Por toda a França, Agnès Varda encontra catadores e catadoras, respigadores e recuperadores. Por necessidade, acaso ou escolha, eles entram em contato com os restos dos outros. A partir de um célebre quadro de Millet, o filme de Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação de coisas (detritos, sobras) que os outros não querem ou deixam para trás. A catadora, nesse sentido, é a própria Agnès Varda, que experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital, se quer assumir como uma "recuperadora" das imagens que os outros não querem ver nem fazer, e que portanto deixam para trás ("le filmage est aussi glanage"). Um filme lúcido e livre, mediado pelas "mãos que envelhecem" da própria cineasta.
A Ópera-Mouffe é o bloco de notas de uma mulher grávida, no contexto de um documentário sobre o bairro da rua Mouffetard, em Paris, apelidada "la Mouffe". É um documentario subjetivo, com fotografia de Sacha Vierny e música de Georges Delerue
Daguerreótipos não é um filme sobre a rua Daguerre, pitoresca rua do 14o distrito de Paris, mas sobre um pedacinho desta rua, entre os números 70 e 90: um documento modesto e local sobre alguns pequenos comerciantes, um olhar atento sobre a maioria silenciosa, um álbum de bairro: são os retratos stéreo-daguerreotipados, arquivos para os arqueo-sociólogos do ano 2975. Enfim, é a minha Ópera-Daguerre.
Três atores - Viva, Jim, Jerry, a caminho do "estrelato" e da não menos difícil maturidade - vivem numa casa alugada sobre uma colina de Hollywood. Eles tem todos jubas de leão, falam muito e às vezes ao mesmo tempo. Tudo se passa em 1968, quando Robert Kennedy faz sua campanha eleitoral, ganha e vê-se vítima de um atentado que causará sua morte. Os três leões-atores vivem, à sua maneira, esta página da história americana, através do que mostra a televisão. Trata-se, evidentemente, mais de uma crônica que de uma estória, até porque os atores interpretam mais ou menos seus próprios papéis.
Documentário sobre os "murais" de Los Angeles, ou seja, as pinturas sobre os muros da cidade. Quem as pinta? Quem as paga? Quem as olha? Como esta cidade, que é a capital do cinema, se revela sem trucagens - e com seus habitantes - através destes muros murmurantes.
Este filme conta uma dupla estória: a vida de um casal e o nascimento de um romance. Edgar e Milene vivem reclusos e não podem dialogar, mas se amam e seu amor dará vida a uma criança. Quanto ao romance de Edgar, ele nasce do nada, à primeira vista, já que Edgar passeia sozinho pela Ilha de Noirmoutier. Mas, pouco a pouco, ao acaso de seus passeios, ele encontra alguns personagens cotidianos: um médico, uma dona de hotel, uma quitandeira, duas meninas bizarras, dois camelôs intrometidos e um homem estranho que se torna "a fera que o impedirá de escrever em círculos". Estes personagens - dos quais ele sabe nada ou muito pouco - tornam-se, transformados ou imaginados por Edgar, as "criaturas" de seu romance, os peões de um jogo que ele inventa: o jogo da derrota. Enfim, o romance de ficção e o jogo da derrota organizam-se diante do espectador, enquanto as "criaturas" ganham vida ao longo de uma dura partida, na qual Edgar defende não apenas suas convicções, mas também seu amor.
Duas jovens vivem em Paris em 1962: Pauline, 17 anos, é estudante e sonha em largar sua família para virar cantora. Suzanne, 22 anos, ocupa-se de seus dois filhos. Elas se separam e, cada uma de sua parte, continuam sua batalha diária. Elas se reencontram dez anos depois, numa manifestação. Suzanne trabalha num escritório de planejamento familiar e Pauline tornou-se cantora. O destino irá uni-las novamente mais tarde, em 1976, quando elas já terão experimentado a frase de Simone de Beauvoir que conclui os créditos do filme: "Mulher não se nasce, torna-se."
Homem neurastênico que, durante a realização de um filme, se vê envolvido em várias situações como o romance com uma bailarina espanhola, perseguições, discussões com um motorista de táxi e o enfrentamento com um bizarro trio de bandidos.