MÚSICA
NB-NECAAB-00011
EM NOITE DE SERESTA
Em São Roque, interior de São Paulo, moradores e turistas se reunem mensalmente em uma casa centenária para acompanhar as apresentações do Grupo de Choro, Seresta e Serenata, que há dez anos vem resgatando práticas musicais do passado local. Seguindo o trajeto destes sons que conectam casas, ruas, pessoas e temporalidades, o filme apresenta as memórias que atravessam o engajamento com a música neste contexto, onde relembrar o passado é também uma maneira de construir um espaço de sociabilidade no presente. Três personagens ligados ao Grupo guiam o desenvolvimento do filme: Mari (coordenadora), Bela (madrinha) e Zé do Nino (anfitrião).
Pé na Estrada
Intérpretes do Brasil traz uma série de quinze entrevistas com intelectuais brasileiros sobre a cultura, a religião e os diferentes grupos sociais de nosso país. Nessa edição, Paulo Vanzolini nos leva Brasil adentro, falando sobre a paisagem física e humana de algumas regiões do país. Fala da Amazônia, da mata e seus índios do Nordeste, seu povo e seu misticismo. Fala da mistura brasileira.
Mistura e Invenção
Intérpretes do Brasil traz uma série de quinze entrevistas com intelectuais brasileiros sobre a cultura, a religião e os diferentes grupos sociais de nosso país. Nessa edição, Hermano Vianna reflete sobre a vitalidade da música do sertão do Brasil, que mantém ainda traços medievais, mas que está permanentemente se reinventando.
CAMINHO DE MUTUM
O índio ticuna Ondino Casimiro é uma pessoa muito singular em seu povo. Um dos grandes conhecedores da chamada Festa da Moça Nova, o ritual de iniciação feminina. Sua fama como cantor o levou longe, realizando apresentações em Manaus, São Paulo e mesmo uma turnê pela Itália. Conhece como ninguém as artes do trançado da cestaria e da rede. É o responsável por oficiar a missa católica aos domingos na pequena capela da comunidade e é professor dedicado das crianças da comunidade. Não há como negar que Ondino é um erudito em sua cultura e um hábil tradutor do mundo dos brancos para os ticuna e vice-versa
WOYA HAYI MAWE - PARA ONDE VAIS?
Seguindo a moçambicana Lenna Bahule, vemos como enfrenta as dificuldades de ser música, mulher e negra no Brasil e em Moçambique. O mundo artístico de São Paulo cobra sua africanidade, suas raízes. Já em Moçambique, Lenna é agora conhecida por seu sucesso no Brasil. De volta a sua terra natal, ela a redescobre com novos olhos. Lenna encontra uma inspiradora geração de músicos de Maputo, que envolve na produção de um grande show. Seja no palco, no sítio da avó ou em um projeto social na periferia de Maputo, vemos Lenna e os artivistas moçambicanos investigando a música tradicional e popular de seu país e descobrindo novas rotas. Navegando entre o ativismo e o palco, entre a África imaginada que o Brasil espera encontrar nela, e o cosmopolitismo brasileiro que São Paulo lhe imprime, Lenna descobre que suas raízes musicais eram ainda mais poderosas do que ela imaginava.
AFROSAMPAS
A presença africana na música brasileira se manifesta de formas diversas. Se em 1966, Baden Powell “carioquizava” o candomblé com os Afro-sambas que compôs com Vinícius de Moraes, meio século depois vivemos um momento inédito com a chegada de músicos de diferentes países africanos à metrópole paulistana. No filme AFRO-SAMPAS observamos o que pode acontecer quando músicos dos dois lados do Atlântico são colocados em contato na cidade onde vivem. Yannick Delass (República Democrática do Congo), Edoh Fiho (Togo), Lenna Bahule (Moçambique) e os brasileiros Ari Colares, Chico Saraiva e Meno del Picchia aceitam nosso convite para um primeiro encontro no qual experimentam sonoridades, memórias e criatividades.
Afro-Sampas faz parte de um projeto de pesquisa de 5 anos, coordenado pelos dois diretores do filme, chamado 'Ser / se tornar africano no Brasil: músicas e heranças africanas'. Esse projeto é financiado pela FAPESP (Fundação de Pesquisa de São Paulo) e faz parte de um projeto acadêmico maior no Brasil, intitulado "O Musicar local: novos caminhos para a etnomusicologia". O objetivo do projeto é analisar a diáspora africana criativa no Brasil. Neste filme, promovemos encontros musicais entre músicos africanos com quem trabalhamos desde 2016 e músicos brasileiros que vivem e trabalham em São Paulo. Eles compartilham sons, memórias e criatividade, explorando questões musicais e sociais em seus encontros.
MAREJANTE
"Marejante" propõe um caminho com referências do Sertão até o Mar e se configura como uma homenagem à cultura musical nordestina tão presente na formação da cultura musical do sudeste. Ao pesquisar os batuques (formadores do samba em São Paulo) cantados pelos escravos no século XIX em uma fazenda de café em Campinas, interior do Estado, foram encontrados registros de letras que ainda hoje são cantadas nos sambas de roda do Recôncavo baiano e em rodas de Capoeira em vários estados do nordeste. O argumento parte deste elo musical entre os dois estados e do desejo de compreendermos o quão negros somos e o quão nordestinos somos! O roteiro é composto por músicas de compositores nordestinos ou que possuam temas que se aproximem da tradição do nordeste, e também de canções inéditas de integrantes do Cupizeiro compostas para este show. O resultado é um trabalho que tem como base o samba, mas que também apresenta em seu repertório canções e baiões, ilustrando um ambiente musical diversificado.
