AS-ASURINI XINGU-0003
Para mais informações, acesse: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Asurini_do_Xingu
Okhá Kahab, Casa da Cura Saúde e Harmonia, projeto da aldeia Cinta Vermelha-Jundiba, Minas Gerais, reúne o cuidado com a vida em todas suas formas. As plantas medicinais promovem aprendizado e uma vasta interlocução entre grupos indígenas e não indígenas, em torno da troca de saberes. Este documentário participativo reúne narrativas de uma rede de mulheres e homens que buscam o bem viver, reconstituíndo formas próprias de cultivar sua saúde.
De suas roças, casas e quintais, as mulheres indígenas dos grupos da Amazônia Desana, Tukano, Tariano, Baré e Kaxinauá, Wapixana, Xawandawa e Yanomami, nos envolvem em seu vasto universo de conhecimentos ao mesmo tempo em que observam os impactos das mudanças climáticas nos seus modos de vida.
O filme, realizado em parceria com um grupo de jovens mulheres da aldeia Tenonde Porã, em São Paulo, mistura ficção e documentário numa narrativa em torno da figura da Piragui, dona dos peixes na tradição Guarani Mbya. Foi realizado em parceria com o LISA (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia) da Universidade de São Paulo, orientado pela Profa. Rose Satiko e com apoio da CNPq.
Segundo anotação de Margot Dias na lata do filme: “ng’oma em Kunalupapa em 20 de setembro de 58, sábado da saída. Tambalika, domingo da saída, dia 7 de setembro de 58” (CAC).
“Estas provas, como saltar a fogueira, correr entre uma fila de mulheres com paus de mandioca que tentam bater, é um gáudio. Esta tarde [de sábado] foi um misto de ritual sagrado e também divertido. Sem os homens, elas podiam fazer tudo” (MD).
“(...) a nalombo pega na cabeça rapada de cada mwali com ambas as mãos e obriga-a a manter uma determinada posição. A seguir, molha o dedo médio no óleo e deixa pingar algumas gotas no meio da testa, de maneira que o óleo escorra pela testa e pela cana no nariz e vá pingar na terra. Todas as mulheres seguem esta operação com grande ansiedade e atenção sem soltarem uma palavra. Atribuem algum significado à maneira como óleo escorre pelo rosto abaixo, considerando mau sinal se ele não seguir o caminho prescrito” (MM III: 238).
Raparigas Maconde jogam, a partir de pequenas covas no chão e com pequenas bolas (CAC). “Este filme é muito curto, mas eu gosto muito dele, na minha lembrança estão os vermelhos deste filme” (MD). “É um jogo de todo o ano. Praticam-no duas ou mais raparigas, sentadas em volta de uma pequena cova, aberta no terreiro das aldeias. (...) Nas partidas de competição utilizam-se onze pedrinhas, mas nas de passar o tempo podem ser mais, num máximo de vinte” (MM IV: 76).
Grupo de mulheres: uma dá de mamar a um bebê outra está a peneirar farinha e a última a pilar. Há potes no chão. A mãe brinca com o bebê, tentando pô-lo no chão. Acaba com um plano geral da aldeia de Antupa (CAC). “Antupa, por exemplo, mudou três vezes na vida do presente chefe. Primeiro estava num lugar próximo do atual, depois mudou uns quilômetros mais para leste e finalmente veio fixar-se a poucos quilômetros da primeira, mais para oeste. Assim, continuam a colher os frutos das enormes mangueiras que outrora enchiam de sombra os terreiros das suas aldeias” (MM II: 11).