Entre cidades: filmes etnográficos em diálogo - Brasil e Colômbia

​​​​​​​Entre cidades: filmes etnográficos em diálogo - Brasil e Colômbia​​​​​​​​​​​​​​

Mostra de filmes e rodas de conversa

​​​​​​​O estado de São Paulo, no Brasil, e a região da Antioquia, na Colômbia, são espaços onde múltiplas manifestações culturais e sociais entram em convergência, sendo difícil resumi-las em poucas palavras e formas. Ambos reúnem inúmeras contradições e desafios urbanos relativos à imigração, desigualdades e violência. Os trabalhos apresentados nesta mostra narram múltiplas possibilidades de (re)existir. Pela arte, moradia, religião e outras práticas, muitos povos tecem as tramas dos territórios que são palco para esses filmes.

Comemorando 30 anos de criação e 20 anos de produção do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA) do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), esta mostra propõe um diálogo fílmico entre múltiplas cidades das regiões mencionadas, através das cores, sons e movimentos registrados pelas lentes de antropólogas e antropólogos dos dois países, Brasil e Colômbia. 

Durante todo o mês de agosto serão exibidos 29 filmes que receberam apoio ou foram produzidos pelo LISA, além de produções colombianas. Os filmes serão distribuídos em três programas. O primeiro, A cidade e seus espaços, destaca lugares diversos como potências articuladoras, que afetam e mobilizam as pessoas. O segundo, O Espaço e suas artes, abarca retratos de diversas expressões artísticas e culturais em contextos urbanos. Por fim, no terceiro, O espaço e seus habitantes, o foco se desloca para as pessoas que, ao seu modo, circulam e se apropriam dos espaços nos contextos registrados, buscando diferentes formas de pertencimento. Cada programa da mostra contará com uma roda de conversa sobre os filmes, as quais contarão com a participação de diretoras e diretores e pesquisadores que investigam os temas abordados. ​​​​​​​


Coordenação

Paula Morgado (LISA/USP)

Curadoria e produção

Jeferson Carvalho (PPGAS/USP)

Isabel Wittmann (PPGAS/USP)

Liza Acevedo (PPGAS/USP)

Paula Morgado (LISA/USP)

Assistente de Produção e Divulgação

Julia Generoso (PUB/USP)

Realização: Grupo de Antropologia Visual (GRAVI)/USP

Apoio: LISA e FFLCH


Rodas de Conversa

roda 1

06/08, 17h30

Programa 1 - A cidade e seus espaços  ​​​​​​​(https://youtu.be/shp-4nkv-hE)

Coordenação: Paula Morgado

A cidade e seus espaços destaca lugares diversos como potências articuladoras, que afetam e mobilizam as pessoas. 

Convidados:

Andrea Barbosa (UNIFESP)

Ana Lúcia Ferraz (UFF)

Andrés García Sanchez (Universidad de Antioquia) 

Debatedor: Heitor Frugoli Jr. (USP)

roda 2

11/08, 15h00

Programa 2 - O espaço e suas artes (https://youtu.be/d5jgOjjAfgs)

Coordenação: Isabel Wittmann ​​​​​​​

O Espaço e suas artes abarca retratos de diversas expressões artísticas e culturais em contextos urbanos. 

Convidados:

Rose Satiko Hikiji (USP)

Ana María Muñoz (Universidad de Antioquia)

Debatedor: Vitor Grunvald (UFRGS)

roda 3​​​​​​​

20/08, 17h30

Programa 3 - O espaço e seus habitantes (https://youtu.be/iG0bUCWryKg)

Coordenação Jeferson Carvalho

O espaço e seus habitantes aborda as pessoas que, ao seu modo, circulam e se apropriam dos espaços nos contextos registrados, buscando diferentes formas de pertencimento. 

Convidados:

Francirosy Campos Barbosa (USP Ribeirão Preto)

Jonathan Echeverri (Universidad de Antioquia)

Debatedora: Silvana de Souza Nascimento (USP)


Convidados (por ordem alfabética):

Ana María Muñoz.  Antropóloga e produtora audiovisual. Possui pós-graduação em produção executiva do programa Ibermedia e é mestranda em Cinema Documentário. Seus projetos têm sido reconhecidos e exibidos em festivais, mercados e workshops nacionais e internacionais. O seu primeiro trabalho como produtora de longa-metragem é Cantos que Inundan el Río (Hot Docs 2021). É investigadora do grupo Cultura, Violência e Território da Universidade de Antioquia, onde trabalha em torno das narrativas de memória do conflito armado colombiano. Coordenou a produção de conteúdos para a sala central do Museo Casa de la Memoria em Medellín. ​​​​​​​

Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz. Antropóloga, Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e Mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense. Foi professora no Mestrado em Antropologia Visual da FLACSO-Equador (2015/2017). Coordenadora do Laboratório do Filme Etnográfico (ICHF-UFF) e autora de uma série de filmes etnográficos.  Pesquisadora do Grupo de Investigación Cosmologías y Visualidad da FLACSO-Equador; do Núcleo de Estudos de Antropologia das Artes, Ritos e Sociabilidades Urbanas - NARUA/UFF, do Grupo de Antropologia Visual da Universidade de São Paulo - GRAVI/USP e do Núcleo de Antropologia, Performance e Drama - NAPEDRA/USP. Seus trabalhos percorrem as seguintes temáticas: filme etnográfico, classes trabalhadoras, povos guaranis, cosmologia, teatro e cinema.  

Andréa Cláudia Miguel Barbosa. Antropóloga, docente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP. Pesquisadora do Grupo de Antropologia Visual da USP e membro do comitê editorial da Revista GIS – Gesto Imagem e Som da USP. Coordena, desde 2007, o Grupo de Estudos Visuais e Urbanos (VISURB) na UNIFESP. Foi membro das comissões de Antropologia Visual da ABA-Associação Brasileira de Antropologia e da Comissão de Audiovisual da ANPOCS. É autora dos livros São Paulo Cidade Azul (Alameda/FAPESP, 2012) e Antropologia e Imagem (Zahar, 2006); é organizadora e autora dos Livros A Experiência da Imagem na Etnografia (Terceiro Nome, 2016), Ciências Sociais em Diálogo (Ed.UNIFESP, 2014), Imagem-conhecimento (Papirus, 2009), Escrituras da Imagem (EDUSP, 2004). Dirigiu os documentários O resto é o dia a dia (2001), No canto dos olhos (2006), Em(si)mesma (2006), Pimentas nos olhos (2015), Fotografias e objetos. Memória e experiência na cidade de Celina (2016) e Corpocidade (2021), dentre outros. Em 2015, atuou como Visiting Scholar na SAME- School of Anthropology & Museum Ethnography, Oxford University.

Andrés García Sanchez. Antropólogo e Mestre em Estudos Sócio-Espaciais pela Universidade de Antioquia. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas. Sua pesquisa e seus interesses profissionais incluem conflitos socioambientais e territoriais, estudos afro-colombianos e étnicos, conflitos armados e construção da paz, mobilização social e cartografia social. Atualmente é coordenador do Grupo de Estudos Territoriais (GET) do Instituto de Estudos Regionais da Universidade de Antioquia. Leciona no Mestrado em Estudos Sócio-Espaciais, na pós-graduação em Teorias, Métodos e Técnicas de Investigação Social e na Licenciatura em DesenvolvimentoTerritorial.

Francirosy Campos Barbosa. Antropóloga, docente associada no Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto (FFCLRP). É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq (PQ-2) e realizou pós-doutorado na Universidade de Oxford em Teologia Islâmica sob a supervisão do Prof. Tariq Ramadan. É coordenadora do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (GRACIAS). Pesquisadora do Grupo de Antropologia Visual (GRAVI) e do Núcleo de Antropologia da Performance e do Drama (NAPEDRA), Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras (CERNe) grupos da USP. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Teoria Antropológica, atuando principalmente nos seguintes temas: Islam, mulheres muçulmanas, antropologia da performance, antropologia visual, metodologia. Produziu documentários: Allahu Akbar, Vozes do Islã, Sacríficio, Allah, Oxalá na trilha Malê entre outros.

Jonathan Echeverri. Antropólogo, docente do Departamento de Antropologia da Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia. Doutor em Antropologia pela Universidade da Califórnia, Davis. O seu principal tema de interesse é o movimento humano. Na sua trajetória de pesquisa, desenvolve o conceito de errance como uma alternativa para compreender as histórias de viagem dos africanos que procuram melhores horizontes para além do continente africano. Atualmente, trabalha em um projeto de pesquisa na ponta Noroeste da Colômbia intitulado "Seguindo o fio do errance: itinerários dos viajantes Sul-Sul através de Urabá". 

Heitor Frúgoli Jr. Antropólogo, docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Coordenador do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade (GEAC) da USP. Foi professor titular da Cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade de Leiden (2010) e Directeur d’études da École des Hautes Études en Sciences Sociales (2013). É pesquisador do CNPq desde 2005 e foi co-organizador das coletâneas Práticas, conflitos, espaços: pesquisas em antropologia da cidade (Rio de Janeiro: Gramma/Fapesp, 2019) e Pluralidade urbana em São Paulo: vulnerabilidade, marginalidade, ativismos (S. Paulo: Ed. 34/Fapesp, 2016) e do dossiê "Ce que l’anthropologie doit au Brésil: terrains et théories". Brésil(s), n. 9, 2016.

Rose Satiko Gitirana Hikiji. Antropóloga, docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq (PQ-2). Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1992) e em Ciências Sociais pela USP (1995), Mestre (1999) e doutora (2004) pela pela Universidade de São Paulo , com pós-doutorado (2005) em Antropologia Social pela USP. É vice-coordenadora do Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA) da USP, coordena o grupo Pesquisas em Antropologia Musical (PAM) e é vice-coordenadora do Grupo de Antropologia Visual (GRAVI-USP) e pesquisadora do Núcleo de Antropologia da Performance e do Drama (NAPEDRA-USP). Dirigiu vários vídeos etnográficos e realizou pesquisas com apoio da FAPESP (desde o mestrado ao pós-doutorado).   Suas pesquisas abordam os seguintes temas: cinema e violência, música em projetos de intervenção para infância e juventude, filme etnográfico, produção audiovisual e artística na periferia, música e imigração africana.

Silvana de Souza Nascimento. Antropóloga, docente do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. Coordenadora do Cóccix - Estudos indisciplinares do Corpo e do Território, da USP e pesquisadora do Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos (USP). Atualmente coordena o Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades, da USP. Realiza pesquisas nas áreas da Antropologia Urbana e dos Marcadores Sociais da Diferença, e tem abordado os seguintes temas: fronteiras, corporalidades, mobilidades, cidades e transfeminilidades.

Vitor P. Grunvald. Antropólogo-realizador, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Bacharel em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2005), Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ, Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2015), com pós-doutorado pela Universidade de São Paulo (2018 -2019). Com formação em Direção Cinematográfica pela Academia Internacional de Cinema, produziu obras fotográficas, audiovisuais e artísticas. Tem experiência e interesse nos campos da Antropologia Visual, Antropologia da Performance, da Arte, do Corpo, do Gênero e da Sexualidade. Coordena o Núcleo de Antropologia Visual (Navisual) da UFRGS e também o Grupo de Reconhecimento de Universos Artísticos/Audiovisuais (GRUA/UFRJ). É membro dos grupos de pesquisa: Grupo de Antropologia Visual (GRAVI), Núcleo de Antropologia, Performance e Drama (NAPEDRA), Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença (NUMAS) e Pesquisas em Antropologia Musical (PAM), todos ligados à Universidade de São Paulo.​​​​​​​

Programa 1 - A cidade e seus espaços

Clique nas imagens para abrir os filmes.

Rose Satiko Gitirana Hikiji

Jovens moradores da periferia de São Paulo apresentam o cinema como meio de expressão e reflexão. Nas quebradas, fazem e exibem vídeos, questionando as representações midiáticas da periferia e construindo novas imagens a partir de suas experiências.

Camilo Pérez e Andrés García Sanchez

Muitos jovens afrodescendentes chegam à cidade de Medellín fugindo do terror dos grupos armados ou em busca de novas oportunidades de vida. Eles trazem suas memórias de destierro e dor, mas também trazem esperanças, sonhos e conhecimento. Esse documentário fala das experiências cinco jovens na cidade.​​​​​​​

 

Ana Lúcia Ferraz

Este vídeo segue os movimentos dos trabalhadores quando ocorrem 2800 demissões da fábrica da Ford de São Bernardo do Campo (São Paulo).

Andréa Barbosa

A relação que construímos com a cidade não se faz sem imagens, imaginário e afetividade. A partir dessa ideia acompanhamos a trajetória de Valmir Santos, um habitante comum da cidade de São Paulo e as relações que constrói com a cidade e seus outros habitantes também comuns. Construímos nesse trabalho a São Paulo de Valmir.

Andréa Barbosa

O vídeo mostra a trajetória da experiência de viver em São Paulo: da visão estereotipada da cidade, impessoal e distante, à cidade afetiva de cada um.

Paula Morgado e João Cláudio de Sena

O vídeo aborda os sentidos dos fluxos, deslocamentos e fronteiras que se realizam na segunda maior via expressa de São Paulo: a Marginal Pinheiros, transformada em uma importante sede financeira em fins do século XX. Moradores, motoristas, sociólogos, geógrafos, arquitetos e empresários falam de sua experiência e seus pontos de vista, mostrando como a história da cidade e o presente estão entrelaçados.

Andréa Barbosa e Fernanda Matos

Pimentas nos olhos é um filme em que fotografia, memória, experiência e música se entrelaçam para contar um pouco do viver cotidiano em um bairro “periférico” da região metropolitana de São Paulo, o Bairro dos Pimentas em Guarulhos.
Wolf, Ohuaz, Thais e Fábio narram sua relação com o bairro, suas histórias e sonhos. Suas narrativas dialogam com muitas paisagens que vão se formando a partir das fotografias que outros tantos moradores realizaram ao longo de suas vidas e nas oficinas fotográficas Pimentas nos Olhos não é refresco realizadas desde 2008 pelo VISURB - Grupo de pesquisas Visuais e Urbanas da UNIFESP.

Ana Lúcia Ferraz

A história do movimento de reivindicação por moradia em Osasco visto pelo olhar dos sem-teto.

Programa 2 - Os espaços e suas artes

Clique nas imagens para abrir os filmes.

Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji

Cidade Tiradentes, distrito no extremo Leste de São Paulo, lugar onde a cidade termina, ou começa. De lá, chegam rimas, gestos e cores que marcam  o espaço, como o street dance, grafite e rap. A experiência periférica urbana é a base e o motivo da produção dos artistas de Cidade Tiradentes, que cresceram junto com o distrito paulista e em suas obras dialogam com seus desafios e sonhos. O filme segue a vida e as transformações da arte de rua com a urbanização em Cidade Tiradentes, lugar considerado o maior complexo de conjuntos habitacionais populares da América Latina, marcado pela exclusão, no qual a população orquestra suas dificuldades com dinâmicas próprias de sociabilidade, moradia, e apropriação do território.

English subtitles

Lucas Fretin

Este documentário sobre as pichações em São Paulo procura desvendar o que normalmente é tido como mera sujeira e vandalismo. Por trás dos rabiscos espalhados por toda a cidade existe uma imensa rede de sociabilidade envolvendo jovens das diferentes periferias. A pichação, além de um complexo mecanismo de comunicação, é também uma forma de expressar a revolta e a indignação com a falta de pespectiva do jovem pobre.

Sous-titre en français

Luckas Perro e Paula Medina

No ano 2002 um grupo de militares e milicianos entraram violentamente à Comuna 13 da Cidade de Medellín para “retomar” o controle do território. Resultado:  múltiplas violações dos direitos humanos e uma constante persecução aos jovens do bairro. A mitad del camino é um exercício de memória desse evento através da criação audiovisual e o rap.

 

 

Carolina Abreu e Marianna Monteiro

A Pedra Balanceou explora as trocas entre a brincadeira de rua do Nego Fugido e as provocações de agitprop - agitação e propaganda - do teatro de grupo paulistano. Deslocado de seu tradicional percurso em Acupe, no recôncavo baiano, o Nego Fugido que acontece pelas ruas de São Paulo revela uma violenta força estética que vai ao encontro da militância dos grupos teatrais nos movimentos sociais da atualidade. Pelos rastros das saias de folhas de bananeiras trazidas à metrópole irrompem utopias, lutas e tensões.

Rose Satiko G. Hikiji e Jasper Chalcraft

A presença africana na música brasileira se manifesta de formas diversas. Se em 1966, Baden Powell “carioquizava” o candomblé com os Afro-sambas que compôs com Vinícius de Moraes, meio século depois vivemos um momento inédito com a chegada de músicos de diferentes países africanos à metrópole paulistana. No filme AFRO-SAMPAS observamos o que pode acontecer quando músicos dos dois lados do Atlântico são colocados em contato na cidade onde vivem. Yannick Delass (República Democrática do Congo), Edoh Fiho (Togo), Lenna Bahule (Moçambique) e os brasileiros Ari Colares, Chico Saraiva e Meno del Picchia aceitam nosso convite para um primeiro encontro no qual experimentam sonoridades, memórias e criatividades.
O filme pode ser acessado na plataforma do festival In-edit Brasil: https://br.in-edit.tv/film/45.

Érica Giesbrecht

Em Campinas, interior de São Paulo, mulheres e homens negros, com idades entre 70 e 90 anos, são ativos no movimento cultural negro da cidade, essencialmente dedicado à recriação de repertórios musicais afro-brasileiros considerados tradicionais. Embora sejam considerados mestres nas comunidades musicais atuais, suas memórias de mocidade não remetem diretamente a jongos, sambas de bumbo ou maracatus, mas a bailes de gala. Na conjuntura marcada pela segregação, dos anos 40 a 60, no interior de São Paulo, esses bailes, frequentados majoritariamente por negros, são revisitados, evidenciando-se sua importância para a formação de uma comunidade negra iniciada no passado e continuada no presente.

 

Priscilla Ermel

Brilho da Noite é o retrato sonoro da festa-ritual do Bumba-Boi maranhense realizada anualmente na cidade de São Paulo. A partir de histórias e toadas alinhavadas por Ana Maria Carvalho, acompanhamos a iniciação do menino Ariel na arte de tocar a vida... Aquecida pelas batidas do pandeirão!

Sous-titre en français

Alexandrine Boudreault-Fournier, Rose Satiko Gitirana Hikiji e Sylvia Caiuby Novaes

Karoline é uma jovem que deseja uma vida mais excitante que seu cotidiano em uma central de telemarketing. Nas ruas de Cidade Tiradentes, o maior conjunto habitacional popular da América Latina, Karoline corre atrás do sonho de ser uma MC, neste lugar que é conhecido como uma Fábrica de Funk. O filme é uma etnoficção que aborda o universo do Funk, prática que envolve música, dança, tecnologia, moda, mercado, e que tem se tornado um dos principais fenômenos culturais da juventude no Brasil. 
Fabrik Funk é resultado de uma colaboração entre antropólogas da Universidade de São Paulo e da University of Victoria com moradores de Cidade Tiradentes, que atuam de diferentes maneiras na cena artística deste distrito. 
Gravado em junho e julho de 2014, em Cidade Tiradentes/SP, e editado entre São Paulo/Brasil e Victoria/Canadá, em 2014 e 2015, o filme contou com apoio da FAPESP e da UVIC.

English subtitles
Sous-titre en français

Marília Garcia Senlle, Raoni dos Santos Costa e Theodoro Condeixa Simonetti

Paisagem Musical nas ruas do centro de São Paulo é um documentário que aborda a experiência sonora da cidade trafegando por seus ruídos e pela música apresentada por artistas de rua.

Marina Chen

Documentário sobre a movimentação artística, política e cultural de grupos de jovens moradores em periferias de São Paulo, na zona oeste (Favela do Sapé), zona norte (Brasilândia) e na zona sul. Por meio da música, da produção audiovisual e outras formas de expressão, os jovens anseiam por mudanças nas comunidades em que vivem ou na sociedade como um todo.

Grupo Cultura, Violencia Y territorio/INER,/Universidad de Antioquia/Pasolini en Medellín/Consejo Comunitario comunidad de Pogue/Grupo de Alabadoras Las Musas de Pogue

​​​​​​​ Este filme faz parte do seriado documental Las musas de Pogue cocinan sus cantos: arte, política y resistência. Este trabalho mostra as práticas criativas e políticas às que recorrem as cantoras de Alabao de Pogue, setor do município de Bojayá, Colômbia, para denunciar os danos causados no meio da guerra, para curar as feridas e processar as perdas de acordo com os repertórios espirituais afro-chocoanos.

Francisco Simões Paes e Camilo Vannuchi

Quem não sabe a diferença entre viola e violão vai se surpreender com Ponteio: jogaram a viola no mundo, mas fui lá no fundo buscar. De forma bem humorada e dinâmica, o documentário traça um panorama do mais representativo instrumento do Brasil, trazido de Portugal em meados do século XVI e rapidamente assimilado pelo homem do campo desse país. 500 anos depois, o som da viola de dez cordas continua brotando dos dedos calejados dos sertanejos ao mesmo tempo em que se espalha pelos grandes centros urbanos, reinventado por músicos modernos e eruditos. Uma viagem pelo interior de São Paulo e Minas Gerais, os diferentes modelos de viola, sua importância para o resgate da cultura popular brasileira, suas afinações, a religiosidade, as receitas de pacto com o Diabo, os mitos que circulam o violeiro e uma amostra das novas possibilidades musicais do instrumento estão presentes nesse vídeo. Para ver e ouvir.

Entre cidades: filmes etnográficos em diálogo - Brasil e Colômbia

Programa 3 - O espaço e seus habitantes

Clique nas imagens para abrir os filmes.

Francirosy Campos Barbosa

A Revolta dos Malês, ocorrida em 1835, marca significativamente o universo Afro-Islâmico. Negros alfabetizados, que não aceitaram serem subordinados a senhores de escravos. No Islam, a escravidão é proibida, pois o homem deve servir apenas a Deus. Neste documentário, as expressões estéticas e narrativas entre o povo de santo e os muçulmanos se cruzam, trazendo outras versões que nos fazem adentrar outras histórias, que não sejam apenas as "oficiais", mas também, aquelas que nos são contadas por meio de mitos e que enriquecem este universo mágico que permeia a vida dos malês/muçulmanos.

Paula Morgado e João Cláudio de Sena

Os índios Pankararu, originários da aldeia Brejo dos Padres, próxima ao Rio São Francisco (PE), começaram a migrar para São Paulo a partir de 1950, fugidos da seca, da fome e dos conflitos com posseiros de terra. Cerca de 500 deles se fixaram na favela do Real Parque, próxima ao Rio Pinheiros, em busca de uma nova forma de vida. O documentário é um caleidoscópio da visão Pankararu acerca desta viagem que não tem fim.

Jonathan Echeverri

Este documentário conta as histórias de viagem dos africanos que partiram em busca de melhores horizontes fora do seu continente. Pelo caminho, a ausência de papéis, os controles migratórios, os recursos económicos limitados e as decepções em que caem dão ritmos diferentes aos seus itinerários. A história de Jonathan, um antropólogo que tem trabalhado no assunto desde 2009, liga estas histórias. No início Jonathan encontra-se em Dakar, Senegal com KC, Clifford, Mohamed, Camara e Prince que estão à espera de deixar o continente. Alguns anos mais tarde, segue os itinerários de Prince, até Quito, Equador, onde encontra Samson, Ivonne e Jermein. Enquanto os destinos dos viajantes que esperam em Dakar não são fixos, em Quito muitos africanos partem numa viagem arriscada para os Estados Unidos. Outros escolhem destinos menos comuns, tais como Quito ou Medellín, Colômbia. A tenacidade destes Africanos evoca a ideia de movimento como um impulso vital que transgride as fronteiras num mundo aparentemente globalizado.

 

Andréa Barbosa

Michele e Dalva são pacientes em desinternação progressiva do Manicômio Judiciário de Franco da Rocha em São Paulo, Brasil. Margarida é psicóloga na mesma instituição. Três mulheres ligadas pela fotografia, instrumento que sela uma relação de respeito e desejo pela vida.

Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer

Todos os anos, adultos procuram os arquivos da Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, São Paulo, Brasil) em busca de prontuários referentes ao período em que, quando crianças e/ou adolescentes, passaram por abrigos públicos. O que faz com que esses adultos queiram recuperar os fios de suas vidas? Entre 2009 e 2013, foram analisados mais de 50 prontuários e realizadas entrevistas com alguns homens que estiveram, entre 1947 e 1974, no Instituto Agrícola de Menores de Batatais (IAMB/ SP). Registros; verdades (?); o direito à memória biográfica; histórias de "famílias abandonadas"; relatos de trabalhos e cuidados; laços atuais entre "ex-menores"; um diálogo entre fotos antigas e uma visita às atuais ruínas do IAMB, guiada por um dos entrevistados, compõem este documentário.

Ana Lúcia Ferraz

O palhaço, o que é? apresenta o trabalho da mulher no Circo-Teatro brasileiro a partir de uma história de casamentos e comédias. o filme foi rodado no sudoeste paulista.

English subtitles
Sous-titre en français

Luiza Calagian

O filme, realizado em parceria com um grupo de jovens mulheres da aldeia Tenonde Porã, em São Paulo, mistura ficção e documentário numa narrativa em torno da figura da Piragui, dona dos peixes na tradição Guarani Mbya. Foi realizado em parceria com o LISA (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia) da Universidade de São Paulo, orientado pela Profa. Dra. Rose Satiko e com apoio da CNPQ. 

Shambuyi Wetu, Rose Satiko Hikiji, Jasper Chalcraft

Shambuyi Wetu, artista da República Democrática do Congo refugiado em São Paulo, constroi com suas performances narrativas sobre a experiência da diáspora e a situação do homme noir no mundo. O filme Tabuluja é uma criação colaborativa do artista com os antropólogos Rose Satiko Hikiji e Jasper Chalcraft, e integra a coleção Afro-Sampas, série de filmes sobre a experiência de músicos, dançarinos e artistas africanos residentes em São Paulo, desenvolvidos no projeto "Ser/Tornar-se africano no Brasil: Fazer musical e patrimônio cultural africano em São Paulo".

English subtitles

Francirosy Ferreira

Investigar temas diversos do Islã no Brasil, como o véu, o casamento, as divergências da comunidade, a relação entre os pesquisados e a pesquisadora é o desafio deste vídeo. Resultado de nove anos de pesquisa e de imersão nas comunidades islâmicas em São Paulo e em São Bernardo do Campo, Vozes do Islã é um convite imagético e sonoro a esse Islã no Brasil.